sábado, 5 de julho de 2014

Colégio e no caminho - História

De 1969 a 1972, estudei em um colégio que se situava em uma grande chácara, onde hoje é a Kraft Alimentos na Cidade Industrial.

Bons tempos aqueles!  No colégio estudavam alunos internos e externos. Foi uma das melhores fases de minha vida. Saudades de muitos amigos que tive naquele local.

Lá a educação era levada muito a sério e as regras eram muito rígidas. 

Quase sempre fui um dos menores e também um dos mais novos da classe. Certa vez levei três tapas na orelha dadas por um professor.

Na ocasião eram efetuados trabalhos em equipe; então a agitação era geral. O professor para impor silêncio, deu um tremendo murro na mesa e gritou: “Silêncio”.  Logo em seguida ele disse em voz alta: - “Valdir, saia desta carteira e vá até aquela.” Eu era tímido e pensei: “Porque justamente eu, que estou quieto.”

Silenciosamente levantei-me, passei pela frente do professor; só que em vez de sentar-me na carteira indicada que era a última antes da porta, abri-a e saí da sala de aula descendo as escadas. O professor foi atrás e levou-me novamente para a sala pelas orelhas. Na época eu tinha onze anos e comecei a chorar de raiva e em voz baixa comecei a xingar o professor. O menino que sentava na carteira da frente me entregou para o professor. Esse veio até mim e deu-me três tapas na orelha.

O apelido do menino que me entregou era Pernalonga, pois era alto e no recreio se rolamos na grama. Com ele não aconteceu nada, pois era filho de um professor e  eu trouxe um bilhete para casa informando, que não entraria no dia seguinte sem a presença do pai ou responsável.

Naquele tempo meu pai era nervoso, pois tinha uma família numerosa e para sustentá-la vendia verduras com uma charrete e um cavalo já velho.   Hoje aos 85 anos, ele é calmo como um cordeiro!

Suas vendas eram mais pelo turno da manhã e perder a manhã toda por causa do comportamento de um filho, era demais! 

Enquanto desviava de seu caminho mais de 10 quilômetros entre ida e volta, ele rangendo os dentes me falava enquanto eu tremia de medo: - “Se você estiver aprontando vou te dar uma surra!”

Quando estávamos quase chegando ao colégio, para minha felicidade, o cavalo assustou-se com um touro que ruminava no alto de um barranco, deu meia volta e voltou em disparada.

Se o meu pai chegasse ao colégio naquele dia, com certeza a surra seria certa.

NO CAMINHO – Eu era aluno externo e andava uns quatro quilômetros de ida e quatro de volta para pegar o ônibus para chegar até o colégio, de domingo à sexta-feira.

Às vezes eu pegava carona com meu pai, mas o cavalo era muito lerdo e indo a pé eu chegava antes. Mas algumas vezes conseguia carona com o Sr. Nicanor, que tinha uma charrete puxada por um cavalo bem tratado e veloz. 

Eu ficava feliz quando caminhando rápido, ouvia o som de sininhos, acompanhado com o trote do grande cavalo baio que conduzia a charrete.

Devido a muitos campos e poucas casas existentes na época, em nossa vila o inverno era mais rigoroso. Além do frio, levantava uma forte cerração e não se enxergava dois metros além do nariz.

A BR116 não era duplicada e muitas vezes para atravessá-la, devido à cerração eu me baseava apenas pelo que ouvia.

De segunda à sexta, encontrava muitas pessoas pelo caminho; a pé, de bicicletas, charretes e carros. Mas nos domingos bem cedo não encontrava uma viva alma.

Na volta eu ansiava por ter uma bicicleta, pois no trajeto que fazia em uma hora, poderia fazer em apenas 10 minutos.

Por vezes no caminho, encontrava meu primo Anderson e os irmãos Nadir e Alcir que estudavam no Colégio Estadual João Mazarotto. Andávamos devagar conversando e de vez em quando parávamos onde hoje é a Macopá, onde havia um grande aterro e ali brincávamos de aviõezinhos feitos de folhas de caderno.

Eu dava graças quando o Valdo, um vizinho que trabalhava com entregas das lojas Hermes Macedo, vinha para o almoço de lambreta carregando um pequeno reboque. Eu vinha no reboque, mas me segurava bem, para que não fosse lançado para fora do mesmo.

Às vezes quando vinha a pé e chegava ao alto da Rua Batista da Costa, via aquela fileira de postes que ainda deveria passar um a um. E quando estava calor, olhando ao longe rente ao chão, parecia que esse estava tremendo.

DEZ QUILÔMETROS PARA NADA – Naquele mesmo ano fiquei entusiasmado, pois no dia seguinte minha classe iria até a Sanepar para ter uma idéia de como é efetuado o tratamento da água. Era uma aula de ciências e depois de observarmos, teríamos que fazer um trabalho descritivo.


No dia programado atrasei-me um pouco. Eu andava quatro quilômetros para pegar o ônibus que me levava até o colégio, que naquele tempo a região era tudo chácaras. Só que naquele dia eu perdi o mesmo e aí corri mais uns seis quilômetros para chegar até o colégio.

Quando cheguei e entrei por uma entrada secundária,  vi o ônibus que passava levando os colegas para o passeio.

Chorei amargamente, pois se tivesse ficado uns duzentos metros atrás, o ônibus passaria por mim e alguém da turma me teria visto e assim eu não perderia o passeio.

No colégio perambulando sem ter o que fazer, encontrei com outro menino que era interno e longe da administração começamos a fazer traquinagens.

Primeiro começamos a virar cambalhotas em um monte de colchões que estavam amontoados no pavilhão. Esse estava chaveado, mas entramos pelas janelas.

Após começamos a andar com as bicicletas de uns colegas que deixavam dentro do mesmo, sendo que eu caí vários tombos, pois ainda estava aprendendo a andar.

Cansados de brincar, achamos umas canetas coloridas e começamos a escrever e desenhar nas paredes que eram brancas.

Na hora em que o ônibus veio da Sanepar e posteriormente voltou para trazer os alunos externos, voltei nele.

No dia seguinte me deu um frio na espinha, quando na saída da aula de ciências, dei de cara com o diretor junto com aquele menino que era interno e esse me apontando com o indicador, disse: - “Foi este!”  

Nas duas aulas após o recreio, tivemos que lixar e raspar toda a parede e ainda eu trouxe um bilhete para meus pais.

Depois dessa, nunca mais pichei qualquer coisa, pois o que acontece hoje em dia é uma idiotice, o indivíduo gastar dinheiro com tintas e spray para deixar um rabisco ou sua marca.



Nenhum comentário:

Postar um comentário